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Caso Miguel: Sarí Gaspar escreve carta para a mãe de Miguel, Mirtes Renata, pede “perdão”, e afirma estar sendo “condenada pela opinião pública”; confira o texto na íntegra

O Brasil ficou triste e revoltado com a morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, após a patroa da mãe dele, Sarí Gaspar Côrte Real, o deixar andar sozinho de elevador, sem qualquer supervisão de um adulto. O menino acabou caindo do 9º andar do prédio, que faz parte de um conjunto conhecido como “Torres Gêmeas”, em Recife. Gaspar foi presa por homicídio culposo, mas responde pelo crime em liberdade, após pagar uma fiança de R$ 20 mil.

Nesta sexta (5), a patroa de Mirtes Renata Souza escreveu uma carta para sua ex-auxiliar doméstica. No texto, divulgada por seu advogado, Pedro Avelino, e obtido pela TV Globo, ela “pede perdão”. Gaspar também afirma se sensibilizar pelo sofrimento de Mirtes. “Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento. Miguel é e sempre será um anjo na sua vida e na sua família. Não há palavras para descrever o sofrimento dessa perda irreparável”, escreveu.

Mirtes e o filho, Miguel (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nunca, mas nunca mesmo, pude imaginar que qualquer mal pudesse acontecer a Miguel, muito menos a tragédia que se sucedeu. Te peço perdão. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida”, ela afirmou.

Gaspar falou sobre a repercussão do caso entre o público e disse estar sendo perseguida. “Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade”, argumentou.

Ela terminou o texto garantindo que nutre “amor” pela família de Mirtes: “Na nossa casa sempre sobrou carinho e amor por você, Miguel e Martinha. E assim permanecerá eternamente. Rezo muito para que Deus possa amenizar o seu sofrimento e confortar seu coração”.

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De acordo com o advogado da primeira-dama de Tamandaré, eles irão se pronunciar quando “as investigações forem concluídas”. De acordo com a Globo, o titular no caso, o delegado Ramon Teixeira, afirmou que “a polícia seguirá coletando elementos de prova a fim de identificar, definitivamente, condutas e responsabilidades penais”.

Sari foi autuada por homicídio culposo (Foto: Reprodução)

Leia a carta na íntegra:

“Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento. Miguel é e sempre será um anjo na sua vida e na sua família. Não há palavras para descrever o sofrimento dessa perda irreparável. Nunca, mas nunca mesmo, pude imaginar que qualquer mal pudesse acontecer a Miguel, muito menos a tragédia que se sucedeu. Te peço perdão. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida. Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade. Na nossa casa sempre sobrou carinho e amor por você, Miguel e Martinha. E assim permanecerá eternamente. Rezo muito para que Deus possa amenizar o seu sofrimento e confortar seu coração. 

Sarí Gaspar”

Entenda o caso

Nesta terça-feira (2), Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas cinco anos, faleceu após cair do 9º andar do edifício de luxo Píer Maurício de Nassau, que fica no bairro de São José, em Recife. O garoto era filho de uma auxiliar doméstica que trabalhava para a família do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker.

Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta (3), a Polícia Civil de Pernambuco informou que a patroa, Sari Gaspar Corte Real, inicialmente tentou impedir Miguel de se locomover no elevador, mas acabou cedendo e permitiu que o garoto entrasse no equipamento sem a supervisão de um adulto. Ele buscava pela mãe, Mirtes Renata Santana da Silva, que estava fora, passeando com o cachorro dos moradores. Em um dos momentos das filmagens da câmera de segurança é possível ver que Gaspar aperta um dos botões do elevador, deixando o menino ir sozinho para o nono andar.

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Lourdes Cristina, tia da criança, alegou que Sarí era atendida por uma manicure, quando o caso aconteceu. “O menino começou a chorar. Só que ela (a patroa) não ligou para chamar a mãe de volta, nem nada. Infelizmente, aconteceu o que aconteceu […] Estava a patroa e uma pessoa trabalhando, fazendo a unha dela”, lamentou, em entrevista ao G1. Assista ao vídeo:

Miguel parou no nono andar, numa área onde ficam os condensadores dos ares-condicionados do prédio. A perícia acredita que ele tenha se projetado em uma grade de alumínio, que acabou cedendo e ocasionando a queda de aproximadamente 35 metros de altura. O garoto chegou a ser socorrido e encaminhado para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, mas não resistiu, e faleceu por politraumatismo, segundo consta em seu atestado de óbito.

Sari chegou a ser presa em flagrante, mas terminou liberada mediante fiança de 20 mil reais (Foto: Reprodução / Instagram)

Sarí foi autuada por homicídio culposo – quando não há a intenção de matar –  por ter agido com negligência. Após pagar uma fiança de 20 mil reais, a primeira-dama de Tamandaré responderá ao processo em liberdade. Segundo a Polícia Civil, ainda será feita uma análise mais apurada para saber se o condomínio também será responsabilizado legalmente pela morte de Miguel. O delegado Ramón Teixeira, da Delegacia Seccional de Santo Amaro, deu mais detalhes sobre a investigação, que tomou como base as imagens do circuito interno de TV do prédio.

“Ouvimos os depoimentos e montamos uma cadeia cronológica, identificando um fator determinante para alterar o juízo técnico-jurídico. Nas imagens, vimos que a moradora aperta um botão e a criança entra no elevador, saindo no nono andar. Lá, nós conseguimos ver depois a imagem do garoto gritando pela mãe na hora da queda”, explicou o delegado.

“Foi uma queda acidental, mas a responsabilidade anterior advém do título de culpa. Não houve sequer dolo eventual ou vontade dirigida para o resultado, mas existiu um comportamento negligente. A patroa, que se encontrava em situação flagrancial, fica responsabilizada legalmente. A legislação permite fiança e, após o pagamento no valor de R$ 20 mil, ela foi liberada para responder em liberdade. O prazo da conclusão do inquérito é de 30 dias”, acrescentou.

O pronunciamento de Mirtes, mãe de Miguel

Mirtes Renata Souza, mãe de Miguel Otávio Santana da Silva, quebrou o silêncio sobre a trágica morte do filho de 5 anos. Em entrevista à TV Globo, Mirtes, desolada, lamentou a falta de responsabilidade da patroa. “Ela (Sari) confiava os filhos dela a mim e a minha mãe. No momento em que confiei meu filho a ela, infelizmente ela não teve paciência para cuidar, para pegar ele pelo braço e tirar [do elevador]. Se fossem os filhos dela, eu tiraria”, declarou.

Segundo a doméstica, o passeio próximo ao edifício localizado no bairro de São José, não levou muitos minutos. Assim que retornou, Souza diz que foi buscar uma encomenda na portaria, quando soube que alguém havia caído, e rapidamente descobriu que esse alguém era Miguel. “Vi meu filho ali, estirado no chão, virei ele devagarzinho e falei: ‘Filho, a mamãe está aqui! Não me deixa’. Ele ainda tinha pulsação e estava respirando”, lembrou, acrescentando que gritou por ajuda.

Aos prantos, Mirtes relatou o momento de pânico ao ver o filho caído no chão. (Foto: Reprodução/TV Globo)

O garoto chegou a ser socorrido e encaminhado para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, mas não resistiu, e faleceu por politraumatismo, segundo consta em seu atestado de óbito. “Não demorou muito e tivemos a notícia que meu filho virou estrelinha, que está lá com Jesus e Maria. Está lá no colo de Maria. Eu pedi a Jesus que tirasse minha vida e desse a ele. Aquela criança era minha razão de viver”, lamentou a mãe.

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Souza mostrou sua indignação ao assistir às cenas filmadas pela câmera do circuito interno de segurança do condomínio. As imagens flagram o momento em que Sari aperta um dos botões do equipamento, e permite que o menino suba sozinho para o nono andar. “Só vi ela [sic] botando a mão no botão da cobertura, mas não posso confirmar que ele foi acionado porque eu não vi a luz. Quando aperta os botões, acende uma luzinha. Mas independente de ter acionado ou não, não era para (Sari) ter deixado ele dentro do elevador”, declarou.

Mirtes acrescentou que, após ver as imagens, ainda ligou para a ex-patroa e ouviu da mulher que ela não tinha apertado o botão do elevador e que provaria isso. A doméstica e sua mãe, Marta Santana, resolveram então pedir demissão. Veja a entrevista abaixo:

Assista ao vídeo que mostra Sari pressionando um dos botões do elevador:

O corpo de Miguel foi velado na quarta (3), no bairro de São José, com a presença de parentes e amigos da família, que prestaram condolências aos pais do garoto. O enterro da criança foi realizado no distrito de Bonança, em Moreno, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, no mesmo cemitério onde o irmão de Mirtes foi sepultado.

De luto e a espera da justiça, a mãe de Miguel desabafou: “Eu espero que a justiça seja feita, porque, se fosse o contrário, acho que eu nem teria direito a fiança. Se fosse eu, meu rosto estaria estampado, como já vi vários casos na televisão. A essa hora, já estava lá no Bom Pastor (Colônia Penal Feminina), apanhando das presas por ter sido irresponsável com uma criança. Mas o [rosto] dela (Sarí) não pode estar na mídia, não pode ser divulgado”.

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