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Como criar crianças antirracistas

Semana passada perguntamos pra vocês lá no Instagram @chatadegalocha o que vocês fazem para trazer a luta antirracista para dentro de casa, algo importante para que as nossas crianças cresçam com mais consciência a respeito disso.

Por isso, a gente conversou com a psicóloga Leticia Diniz para entender como educar crianças brancas sobre isso e acolher crianças pretas em casos de descriminação racial.


CDG: A educação sobre racismo começa dentro de casa, né? Muitas crianças aprendem, inclusive, com o preconceito dos pais. Como começar a trazer questões raciais para crianças? Qual é a melhor maneira de iniciar esse assunto de forma positiva?

Letícia: A famosa frase “ninguém nasce odiando outra pessoa pela sua cor de sua pele, ou por sua imagem, ou sua religião”, de Nelson Mandela, nos permite repensar sobre o modo pelo qual estamos educando nossas crianças, expondo-as a um racismo estrutural que é muito real. A identidade de uma criança é formada desde sua primeira infância e a família é uma das principais influenciadoras do comportamento infantil. Muito do comportamento da criança é aprendido dentro da própria casa.

Antes de combater o racismo em redes sociais, precisamos extingui-lo no nosso lar. Para isso, pais e famílias precisam desde muito novos implementar uma cultura antirracista na educação de seus filhos, ou seja, despertar consciência racial nas crianças é preciso antes trabalhar no adulto o antirracismo. Quando as crianças começam a conhecer sobre o seu corpo, sobre o que gosta ou não, o que é legal ou ruim, é fundamental que o responsável pela educação infantil mostre que na diferença não deve haver preconceito.

CDG: E não só com crianças pretas, certo? É preciso também conscientizar as crianças brancas, principalmente convivendo com crianças pretas em escolinhas, creches… Como é possível trazer este assunto?

Letícia: Umas das maneiras que permitem iniciar um diálogo rico com uma educação positiva com a criança é através de materiais lúdicos como jogos onde existem personagens negros, brinquedos com bonecas negras e usar a imaginação. Além disso, mostrar também que do mesmo modo que existem muitas histórias legais onde o personagem principal e admirável do desenho animado é uma pessoa branca de olhos azuis, é totalmente possível ter uma outra história super legal com um super herói negro.

Instigar a criança a enxergar que o negro também pode e merece estar no topo é uma das possibilidades de levar a consciência racial de uma forma muito leve e, principalmente, com resultados. Além disso, quando a criança faz uma pergunta relacionada a esse assunto, não existe ocasião melhor do que aquele momento. O interesse demonstrado pela criança sobre as pautas raciais permite um diálogo mais comprometido com a ação e fácil de absorver.


CDG: Para as crianças pretas, o que é importante ser dito de uma forma que traga consciência, mas sem assustá-las, por exemplo?

Letícia: Para as crianças negras, a palavra-chave é empoderamento, para a criança branca a palavra de ordem é respeito! As escolinhas são muito importantes para a socialização das crianças, o contato com os coleguinhas é fundamental e quando há o contato, pode acontecer brincadeiras de mal gosto. Quando isso acontece, existe um lema muito claro: a correção começa na escola e termina em casa. Na escola a professora pode ajudar e esclarecer que há beleza na diferença, noção de empatia e que todos merecem respeito independe de sua fisionomia.

Depois dessa conversa, os pais devem ficar cientes do ocorrido e perpetuar todo esse trabalho que a professora começou na escolinha. Dê o suporte e apoio. Se o seu filho que foi discriminado, demonstre o quanto ele é importante e como agir em situações de opressão. Já se o seu filho for o opressor, demonstre a ele que sua atitude não foi legal e mostre os porquês.


Esperamos que as palavras da Letícia sirvam de inspiração para trazer consciência racial para dentro de casa.

O post Como criar crianças antirracistas apareceu primeiro em Lu Ferreira | Chata de Galocha!, e é de autoria de Redação Chata de Galocha.

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