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Roda Viva: Marcelo Adnet é chamado a comentar acusações da ex Dani Calabresa contra Marcius Melhem, e se surpreende com pergunta capenga de Marcelo Tas; assista

Marcelo Adnet foi o convidado dessa segunda-feira (17) do “Roda Viva”, da TV Cultura. Durante o bate-papo, o humorista opinou sobre política, analisou o atual cenário do país, e também comentou o desligamento de Marcius Melhem da Rede Globo, meses após o diretor ser acusado de assédio moral por diversas profissionais da área.

Sobre a situação, Adnet afirmou não saber das denúncias contra o colega de profissão, mas se mostrou disposto a depor, caso seja convocado. “Olha, eu não sabia, não sabia. Se alguém me convocar algum dia, para algum tipo de esclarecimento, claro que sim [prestarei]. Eu não tenho nada a esconder. E assim, sou um cara muito distante das relações empresariais. Nunca ocupei um cargo executivo e nunca quis uma vida executiva, assim como o Marcius estava tocando a atividade dele, muito baseada em uma vida executiva, além da vida de ator”, declarou.

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O carioca explicou que o convívio com o ex-diretor dos projetos de humor da emissora era maior em cena, e não na jornada executiva que Melhem vivenciou nos últimos anos. “Isso é um assunto que é para ser resolvido não por um ator. Não tenho esse poder de Justiça ou de instituição de tomar uma decisão tão importante e tão delicada também. Sinto que, se eu falar qualquer coisa, vou ser leviano porque não é uma questão de opinião, de gosto. É uma questão, eu acho, mais séria”, completou.

Em seguida, Anna Virginia Balloussier, repórter da Folha de São Paulo, fez questão de lembrar que uma das supostas vítimas do assédio seria Dani Calabresa, ex-esposa do humorista. A jornalista perguntou mais uma vez se Adnet realmente não tinha qualquer conhecimento do caso, que envolvia a comediante. “Não sabia. Se eu soubesse de alguma coisa, certamente teria me envolvido e me engajado em alguma situação, mas, de novo, acho que essas coisas tem que ser resolvidas por instâncias superiores, e não através da minha opinião. Acho que dar minha opinião seria reduzir uma questão muito séria e eu não posso fazer isso, em respeito às pessoas que podem estar envolvidas”, enfatizou ele.

Vera Magalhães, apresentadora do Roda Viva, também abordou as denúncias e questionou se o comediante, ao evitar comentários sobre o caso, não estaria “passando o pano para seu amigo”. “Quero lembrar que eu fui abusado duas vezes e eu sei como as vítimas sofrem, como elas são a ponta mais fraca de tudo isso. Portanto, eu não tenho poder de polícia para decidir, eu não vou dizer que sim nem que não, porque a minha opinião é exatamente a opinião da dúvida. Porque quando nós nos apressamos em dar uma opinião, condenatória ou não, nós aí sim estamos sendo levianos”, ponderou Marcelo.

“Posso voltar a falar sobre esse assunto quando ele tiver um esclarecimento. Mas eu estou sempre do lado da vítima. Sempre, para mim não tem nenhuma questão sobre isso. Para mim não tem nenhuma dúvida, não há como ter um ambiente de trabalho em que você tenha que conviver com qualquer tipo de assédio. Isso não, isso é inadmissível”, afirmou, encerrando o assunto.

Adnet se declara de esquerda e afasta ideia de entrar para a política

Ainda na conversa, Marcelo classificou seu viés político, como de esquerda. Segundo o humorista, é impossível viver no Brasil e não ser progressista, devido às diferenças sociais que existem no país. “Me considero de esquerda, sem dúvida. Me considero progressista, mas não comunista. A palavra comunista ganhou um novo significado, mas o comunismo que eu conheço, da União Soviética, não. Não sou comunista, nem nunca fui. Mas de esquerda, sim, é óbvio”, declarou.

“Você tem que ser de esquerda no Brasil. Não tem como morar no Brasil e não ser de esquerda. Temos diferenças muito abissais. As políticas progressistas no Brasil são as únicas coisas que fazem realmente sentido para diminuir essas diferenças abissais, em vez de largar a mão”, acrescentou.

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Em 2011, Adnet deu uma entrevista ao jornal O Globo, falando sobre sua vontade de entrar para a política. Hoje, esse desejo mudou. O humorista tem medo de ser assassinado caso tome frente de algum cargo público. “Eu amo política. Às vezes, quando vemos uma pessoa em situação de vulnerabilidade, você pensa que como político poderia mudar a vida de milhares, ou milhões de pessoas. É muito nobre. Mas hoje não sei se estaria nesse ramo, porque tenho medo de morrer. Eu tenho medo de ser assassinado. E a política é muito barra pesada”, revelou ele, ressaltando receber ataques diários e até ameaças de morte por expor suas opiniões.

Marcelo Tas faz pergunta descabida e recebe críticas na web

Após Adnet se declarar de esquerda, Marcelo Tas fez uma pergunta totalmente descabida, com sérios problemas de veracidade de informação e de distorção da lógica. “Quando você fala que é um humorista de esquerda… você nunca reparou que em Cuba não existe humorista? [sic] Ou na China não existe humorista? [sic] Acho muito perigoso para pessoas que trabalham com humor, tomarem um partido, especialmente quando o humor é censurado como no caso de Cuba”, soltou Tas, deixando o xará em choque.

“Não estou entendendo o ponto. Você acha que um humorista não pode ter uma posição política?”, interrompeu Adnet, avisando que ter uma opinião não prejudicaria sua carreira. “Eu sou uma pessoa, acima de qualquer coisa. Eu não coloco a carreira acima do humano. Tipo, ah, não vou falar o que eu penso. Eu tenho opinião. Acho que ser de esquerda não tem nada a ver com China. Isso é comunismo. Nós temos que separar o que é ser um progressista de um comunista. Cuba e Coréia do Norte tiveram regimes autoritaríssimos, que não são progressistas”, rebateu o humorista.

Tas então comentou, aos risos, que esses regimes seriam “endeusados pela esquerda”. “Mas aí não é problema meu. Você não pode dizer pra mim que, ao ser de esquerda, eu sou lulista, petista… é a mesma coisa que eu dizer pra alguém da direita que é fascista. É o mesmo erro. A esquerda não é uma coisa só, ela é bastante plural. Acho que o problema, na real, é o que quer dizer ‘esquerda’. Mas entendi sua crítica, porque hoje as palavras estão muito contaminadas. Há comediantes que são de esquerda, de direita, de extrema direita ou extrema esquerda, e todos não deixam de ser comediantes por conta de suas opiniões”, enfatizou Adnet, sem expor o cerne das contradições de Tas.

A colocação de Marcelo Tas foi fortemente criticada nas redes. O nome do apresentador, inclusive, ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter. O jornalista Guga Chacra fez questão de desenhar o óbvio: os regimes autoritários e os democráticos se dão tanto no espectro da direita, como na esquerda. A censura e o autoritarismo não são características exclusivas a apenas um dos lados. “Vamos desenhar – há ditaduras de esquerda, como Cuba, e de direita, como a Arábia Saudita. Mas há democracias governadas pela esquerda, como a Nova Zelândia e Portugal, e pela direita, como a Austrália e Alemanha”, escreveu.

O apresentador Gregorio Duvivier também lamentou a fala do colega de profissão e a contestou. “São muitos erros na pergunta de Marcelo Tas. É um combo de erros nunca antes vista na historia da TV (…) Se a pessoa fizesse o minimo de pesquisa, iria descobrir que Cuba tem humor pujante, e reconhecido mundialmente. Pra dar um exemplo só, Juan de Los Muertos, uma comédia de zumbis que ganhou o prêmio Goya. Difícil de achar? Tá inteirinho no Youtube”, disparou.

“Ele (Marcelo Tas) acha que não é partidário, só por não se dizer de direita, ou de centro, ou sei lá o que acha que é. Se você não é transparente quanto às suas adesões, não deveria culpar o humorista que é”, encerrou.

Rafinha Bastos, que por anos trabalhou ao lado de Tas na bancada do CQC – Custe o que Custar, na Band, ironizou a surpresa dos internautas com a mediocridade da colocação do jornalista. “Só agora vocês perceberam que o Tas é o véio da Havan?“, perguntou ele, em referência a um empresário bolsonarista. “Talvez seja a hora de publicar meu livro ‘A Verdadeira História do CQC’. No aguardo do contato de alguma editora interessada“, provocou.

“Marcelo Tas se cacifando para ser comentarista da CNN…”, debochou o jornalista Mauricio Stycer.

Tas, por sua vez, tentou justificar a fala em resposta a um seguidor. “O povo cubano é maravilhoso e acolhedor. O que eu disse é que não há liberdade de expressão em Cuba. Daí não florescerem os humoristas”, alegou.

O eterno professor Tibúrcio ainda rebateu um comentário da jornalista Marina Gonçalves, do jornal O Globo. “Além de todos os erros que o Marcelo Adnet didaticamente explicou pro Marcelo Tas após uma pergunta que me levou ao limite da vergonha alheia, gostaria de dizer que há humoristas e comediantes em Cuba”, afirmou ela. “Conheço Cuba desde os anos 80. Não há liberdade de crítica, a matéria prima do humor. Mande os nomes (dos humoristas). Vou adorar conhecê-los”, retrucou Marcelo.

Adnet negaria possível encontro com Bolsonaro para discutir sobre cultura

Ao longo do programa, Marcelo Adnet também ponderou sobre um possível encontro com o presidente Jair Bolsonaro, caso fosse convidado para participar de uma reunião com outros representantes da classe artística, para tratar de questões sobre a cultura.

“Eu fico com muita dificuldade de responder essa pergunta. Acho que com o Bolsonaro de agora, não, porque ele não está interessado em nenhum diálogo. Ele inclusive, é um cara contra a cultura, mesmo. Ele tem esse plano de bater na cultura. Numa nova conjuntura política, num outro momento, talvez. Hoje, nosso presidente vem investindo contra a cultura, que perdeu seu ministério. Você nem ouve falar na secretaria de cultura… É uma destruição da cultura. Mas nós artistas, de todos os tipos, estamos fazendo a arte continuar viva, apesar dos pesares”, concluiu. Assista:

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