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Exclusivo: Gabriela Pugliesi vence processo contra psicóloga hater e comenta caso pela primeira vez: ‘Tremo só de falar nela’

Dona de um perfil no Instagram com mais de 4 milhões de seguidores, Gabriela Pugliesi se viu alvo de ataques injuriosos na internet, ainda em 2018. Passados alguns meses, a influenciadora, exausta, moveu um processo contra a autora das páginas que a atacavam, e agora, com exclusividade ao hugogloss.com, fala pela primeira vez sobre o caso.

Foi com a ajuda de terceiros – que mais tarde testemunharam a seu favor – que a musa fitness teve conhecimento das contas no Instagram e Facebook, somando milhares de seguidores, utilizadas para instigar, disseminar ódio e praticar crimes contra a sua pessoa. A ré, cujo nome não será divulgado, fazia sérias alegações contra Gabriela, acusando-a de ser usuária de drogas e dizendo ter provas disso, além de criticar o estilo de vida promovido por ela e levantar suposições falsas sobre o marido e familiares da blogueira.

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As acusações, inclusive, fizeram com que a influenciadora perdesse contratos publicitários. O impacto profissional, entretanto, não foi, segundo Pugliesi, a razão para a investida judicial. Os danos psicológicos falaram mais alto. “Eram acusações e afirmações muito sérias que vão muito além de crítica de internet. Estavam mexendo com a minha família, com a minha vida pessoal, então eu comecei a ficar com medo da pessoa”, pontuou.

“Iam atrás das marcas que eu fechava contrato pra me injuriar, faziam abaixo-assinado e mil coisas, mas isso não foi o que me deixou mal. Tive acesso a mensagens de voz que essa pessoa mandava, afirmando coisas absurdas, que eu usava crack, cocaína, que tinha provas, falava coisas da minha família que nem eram verdades. Eles falavam da vida da minha mãe, de antes dela conhecer o meu pai… O que me afetava mais era o emocional, era me pegar discutindo com minha família para saber se eram verdade ou não as coisas que eles falavam”, lembrou.

Me pegava todos os dias angustiada pensando qual seria a próxima maldade que iam fazer“, recorda a influencer (Foto: Reprodução/Instagram)

Os ataques causaram uma desestruturação emocional em Gabriela, que precisou tratar do assunto em terapia. “Só de falar nela (ré) a minha energia muda, eu tremo ao falar nela. Ninguém tem noção do que eu passei, porque nunca fui uma pessoa de ficar falando, lamentando e de levar energia negativa para as minhas redes. Eu tentava disfarçar, mas acho que no meu inconsciente isso me machucava muito, então a terapia me ajudou a trabalhar isso dentro de mim. Inclusive, foi nessa fase que eu tive crises de pânico todos os dias, praticamente, por um ano. Foi uma fase muito tensa da minha vida”, desabafou.

Por conta disso, Pugliesi não se sentia confortável em falar abertamente sobre o caso. “Sempre fui meio resistente em falar sobre isso. Não queria que essas pessoas ficassem vendo o que estava acontecendo e que, o que eles faziam, de fato, estava me fazendo mal, me deixando vulnerável. Eu não queria fortalecer esse ódio e também nunca me senti bem falando disso, porque era uma energia que me fazia mal”, explicou.

Processada criminalmente por injúria e difamação, a ré foi declarada culpada somente pela primeira violação e, mediante bons antecedentes, foi determinado como pena o cumprimento de 30 horas de trabalho comunitário, em regime aberto, ao longo de um mês. A sentença foi proferida em dezembro de 2019.

Incentivada pela advogada Ana Carolina Andreucci Bernicchi, a influenciadora resolveu expor a história, como forma de alerta para a gravidade desse tipo de situação. “Quando saiu a sentença, minha advogada falou: ‘Gabi, acho muito importante as pessoas saberem que isso foi feito, que você ganhou o processo, que as pessoas não podem fazer o que quiserem e achar que sairão impunes’. Estou expondo isso como um alerta, para as pessoas entenderem que existem leis, que elas não podem sair prejudicando a vida de ninguém, por mais que elas não gostem dessa pessoa. O mais importante disso tudo é realmente as pessoas pensarem antes de saírem fazendo maldade e disseminando ódio, mentiras e calúnias, achando que não vai acontecer nada”, refletiu.

“Hoje, acho que as pessoas estão mais responsáveis e levando muito mais a sério essa questão de fake news”, opina Pugliesi (Foto: Reprodução/Instagram)

Gabriela chegou a pedir indenização no processo que correu, entretanto, não foram juntadas provas dos danos financeiros causados. Com isso, Patrícia Roque Carbonieri, juíza responsável pelo caso, determinou que a autora precisaria mover um processo civil, caso quisesse recuperar o valor que lhe seria devido. Puglisei decidiu durante essa nossa entrevista que não pretende fazer isso.

“Acho que não vou pedir indenização. Não quero viver nessa atmosfera de novo, sabe? Por mais que seja justo… Graças a Deus, mesmo essas pessoas tentando me prejudicar por muito tempo, nunca me faltou nada, eu não tenho necessidade de ir atrás disso. Eu só queria o mínimo de justiça e isso foi feito. Só de pensar em tudo que passei, a angustia, a ansiedade, as crises de pânico, e trazer de volta a energia dessa pessoa pra minha vida, por mais que seja um processo a meu favor, eu não quero, não quero essa energia. Então, não vou pedir indenização. Caso eu mude de ideia algum dia, eu aviso, mas por enquanto, não”, encerrou.

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Confira a entrevista completa com Gabriela Pugliesi:

HG: Gabriela, você tomou conhecimento das difamações em janeiro de 2018, e abriu o processo em maio do mesmo ano. Por qual razão houve essa espera de cerca de 90 dias – que é um tempo considerável – para agir? Por algum momento, você considerou descartar a possibilidade de entrar na Justiça?

GP: Na verdade, eu nunca queria ficar nessa energia, sabe? Então eu sempre tive dúvida se eu continuava, se não continuava, mas aí as coisas iam acontecendo, a minha advogada ia conseguindo saber quem era e tal, e aí, em um determinado momento, eu tive que tomar uma decisão. Aí eu pensava assim: ‘Poxa, eu vim até aqui e vou desencanar?’ Ou eu pensava ‘Ah, eu não quero mais isso’, então eu sempre ficava nessa dúvida porque era uma energia que eu não queria ficar pensando no meu dia, mas aí eu decidi ir atrás. Eu não me lembro muito bem o porquê, né?! Porque já faz um tempo, mas eu lembro que tava muito sério, eram acusações e afirmações muito sérias que vão muito além de crítica de internet, eram coisas que estavam mexendo com a minha família, com a minha vida pessoal, então eu comecei a ficar com medo da pessoa.

HG: Como figura pública, acredito que esse não tenha sido o primeiro episódio em que você foi vítima de mensagens odiosas e injuriosas. O que, neste caso, foi diferente das demais vezes, e te fez tomar a decisão de mover um processo? O que te afetou? Foi exclusivamente pela perda de possíveis contratos?

GP: Não, não foi por causa de perda de contrato, embora essa pessoa não trabalhou, se é que eu posso falar que é um trabalho, mas eles tinham um grupo, um grupo de pessoas, de haters que não me deixavam em paz nenhum segundo do dia, iam atrás das marcas que eu fechava contrato pra me difamar, faziam abaixo-assinado e mil coisas, mas isso não foi o que me deixou mal assim. Eu tive acesso a mensagens de voz que essa pessoa mandava, afirmando coisas absurdas, que eu usava crack, cocaína, que tinha provas, falava coisas da minha família que nem eu sei e que nem eram verdades, era uma coisa muito além de difamação de internet. Eles falavam da vida da minha mãe, de antes dela conhecer o meu pai, e eu nem falo dele. Então, o que me afetava mais era o emocional mesmo, era eu me pegar discutindo com a minha família se eram verdades ou não coisas que eles falavam, desde as amizades do meu pai de antes de me ter, da minha mãe, da minha família, do meu padrasto, de ex-namorado meu que eu nem tenho contato mais, eles iam atrás da minha vida inteira. Então isso me afetava muito mais do que contratos perdidos pontualmente, porque eu acho que eu acabei me acostumando, sabe? Com eles fazendo isso com o meu profissional, mas com esse meu lado emocional eu não me acostumava, eu me pegava todos os dias angustiada pensando qual seria a próxima maldade que iam fazer.

Gabriela e sua família foram vítimas de injúria nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

HG: Quando e como você soube dessas publicações? Qual foi sua reação imediata? Você passou a acompanhar mais de perto essas páginas nas quais sua suposta vida era abordada? De que maneira isso mexeu com sua cabeça, com sua rotina?

GP: Então, as páginas, eu nunca fui de acompanhar porque sempre que eu leio coisa ruim, eu fico mal. Eu não lia, eu não entrava, a não ser quando a minha advogada [me mandava], que ela que ficava mais acompanhando tudo pra fazer essa ação, mas eu pedi até pra ela não me mandar nada que eu não precisasse saber. Porque eu ficava muito mal, até hoje eu sou assim, eu não leio nada, então eu só tinha acesso às coisas que ela me mandava porque ela tinha que perguntar alguma coisa. Só que chegou num determinado momento que foi a gota d’água. Eu tava viajando e uma pessoa que gostava de mim, que não tinha nada a ver com a história, mas que sabia desses Instagrams fakes, foi atrás e meio que descobriu quem era, não lembro como porque faz tempo, mas ela me encaminhou esses áudios que a pessoa falava de mim coisas absurdas. Eu lembro que fiquei transtornada, desesperada, porque ela afirmava coisas mentirosas, absurdas, e eu fiquei com muito medo dela fazer alguma coisa pra mim ou pra minha família fisicamente mesmo, porque era muito ódio. E aí, como eu não acompanhava no dia a dia esses Instagrams, quando eu ouvi isso tudo foi um baque, e aí eu falei ‘não, eu vou até o fim porque eu realmente preciso saber quem é essa pessoa e eu preciso que alguma medida seja tomada’, porque não pode ser justo isso, não pode ser normal, a pessoa fazer isso com alguém e não acontecer nada.

HG: O que mais te machucou nisso tudo? Quais foram as consequências mais negativas?

GP: Nossa, o que mais me machucou foi o meu estado emocional com as crises de pânico que eu tinha. Às vezes, eu me pegava aflita, nervosa, sempre que eu fechava algum trabalho, eu já sabia que essas pessoas, esse grupo… porque a ré foi só uma delas, mas assim, é um grupo que faz isso, e eles combinavam de, assim que eu fechasse qualquer coisa, qualquer trabalho e anunciasse isso, irem atrás da marca, e ligavam, e mandavam carta, e-mail, iam no Instagram, até a marca romper comigo. Óbvio que algumas marcas rompiam sim, porque não aguentavam a pressão, mas graças a Deus, na minha vida eu tive marcas parceiras que viam isso que tava acontecendo e sabiam que era uma parada muito mais pessoal, comigo, do que qualquer outra coisa. Tiveram marcas sensíveis que não caíam nessa pilha, mas obviamente que isso me prejudicava muito. Então, emocionalmente, pessoalmente, profissionalmente, acho que foram quatro anos de aflição e de perseguição.

HG: Você consegue provar que sofreu sim, danos financeiros?

GP: Sim, a gente consegue, a gente tem provas documentadas. Inclusive áudios da própria (ré), falando que conseguiu cancelar contratos meus do valor x, y, z, porque, inclusive, eles conseguiam ter acesso a números, a contratos meus, e a gente tem essas provas sim, e-mails e áudios, enfim, muita coisa.

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HG: Na sentença, em um dos seus relatos, você afirma ter precisado se submeter a terapia para lidar com essa situação, que lhe causou uma desestruturação emocional. Você continua tratando desse assunto ainda hoje, com ajuda de profissionais, ou ele já foi superado? E como foi?

GP: A terapia me ajudou muito nessa fase. Ninguém tem noção do que eu passava porque eu nunca fui uma pessoa de ficar falando e lamentando e de levar energia negativa para as minhas redes. Eu acredito muito que as coisas têm a importância que você dá, então por muito tempo eu não quis dar importância a isso, pra isso não passar a ser muito importante na vida. Então, eu tentava disfarçar com outras coisas e dar foco para as pessoas que gostam de mim e que me acompanham. Mas eu acho que no meu inconsciente isso me machucava muito, então a terapia me ajudou a trabalhar isso dentro de mim, inclusive foi nessa fase que eu tive crises de pânico todos os dias, praticamente, por um ano. Foi uma fase muito tensa da minha vida. Mas eu não acho que eu fiquei traumatizada, eu não enxergo as coisas dessa forma, eu sou super resiliente. Foram muitos anos desse hate, uns quatro anos, que eu acabei me acostumando a acordar e a dormir todos os dias com uma turma de pessoas muito maldosas. Era muito além de hate de Instagram e de fofoca. Ninguém nunca vai ter noção do que foi isso.

HG: No período em que os perfis da ré ainda eram alimentados, esses chegaram a alcançar 20, 30, até 50 mil followers. De que maneira isso impactou a sua base de seguidores? Você passou a ser questionada por pessoas que te acompanhavam de perto, nas suas próprias redes, sobre essas falsas alegações? Quando as contas em questão foram, de vez, apagadas das redes? Foi somente após a entrada do processo criminal?

GP: Nas minhas redes, quem me segue há muito tempo, são pessoas que gostam de mim, elas me conhecem, é uma coisa muito louca, elas não me questionam. E quem não gosta, não gosta, não adianta, então eu sempre tive isso muito dividido, de quem gosta e não me questiona, e dessa turma de haters que realmente existia… e ainda existe, né? Eu nem sei, eu não acompanho, mas teve uma fase muito pesada mesmo. Mas eu não falava disso, eu nunca fiquei me justificando ou rebatendo porque eram coisas muito irreais. Não sei nem se eram consideradas fofocas, porque eram coisas tão pesadas que eu nem queria absorver isso e eu também nem falava desse assunto nas minhas redes porque eu não queria alimentar o meu canal com essa energia ruim. Eu sempre fui assim. Então eu não ficava dando satisfação e nem justificando. Eu não lembro na época se o Instagram foi apagado, mas eu acho que sim, eu acho que a minha advogada conseguiu entrar com um pedido pra apagar aquelas contas porque não eram contas de críticas e de fofoca, que é normal ter hoje, isso faz parte da vida das pessoas públicas, mas eram perfis criados, exclusivamente, pra falar de mim, com um ódio irreal, exacerbado. Então eu acho que, além do processo, foi uma decisão que averiguaram e viram que era uma conta só feita com o intuito de prejudicar uma pessoa em específico, então eles apagaram.

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HG: Todo processo dessa natureza é longo e desgastante, além de claro, envolver muitos gastos com advogados… Esse, especificamente, levou quase dois anos para ser concluído, já que a sentença foi proferida apenas em dezembro de 2019. Até então, você havia mantido tudo no sigilo. Existiram esforços, mesmo que muito discretos, de tentar minimizar o impacto que tais comentários possam ter causado em seu trabalho e imagem, enquanto o processo corria?

GP: Eu nunca fiz um esforço e nem nada pra diminuir o impacto de comentários. Eu sou uma pessoa muito espiritualizada, então eu não me preocupava com as energias negativas porque eu sempre tive certeza que o que era meu ia acontecer. Óbvio que essas pessoas me prejudicaram profissionalmente, e muito, mas eu focava nas minhas coisas e no meu trabalho. Por muitas vezes, eu queria desistir, por muitas vezes eu falava com a Carol (advogada) assim: ‘Ah, eu quero desencanar disso porque tá me desgastando muito’. Esse processo foi feito empurrado, eu nunca acordava e dormia em função disso. As coisas foram acontecendo, tanto é que demorou esse tempo todo, poderia ter sido muito mais rápido. Eu só não desencanava porque depois de um tempo a Carol falava: ‘Ah, Gabi, conseguimos isso’, e aí eu falava, outra vez: ‘Já que eu vim até aqui, então vamos’. Por isso que foi tão demorado, porque eu realmente não ficava indo atrás de nada, e como essas decisões judiciais demoram bastante pra acontecer, eu fui deixando no tempo da justiça. Sobre o sigilo, eu não queria que essas pessoas soubessem que o que elas estavam fazendo me deixava mal de fato. Eu não queria fortalecer esse ódio e não me fazia bem falar disso. E também até pra isso não se tornar um fato com mais peso do que já tinha, então sempre deixei acontecer.

HG: De acordo com os documentos obtidos, identificamos que a pessoa responsável por todos esses danos é uma psicóloga que, curiosamente, atuou de maneira totalmente contrária ao que prega a própria profissão. Você acha que existiu contradição nessa história, visto que muitas das críticas a seu respeito, te acusavam de exercer seu trabalho de uma maneira errônea e vender uma ideia de vida inalcançável?

GP: Acho que já seria péssimo para qualquer profissão que ela exercesse, mas óbvio que a psicologia faz isso tudo ser ainda mais contraditório. É uma pessoa que por si só não pode ser realizada e feliz, porque ninguém que é realizada com a própria vida faz isso com a vida de outra pessoa. Até porque eu nunca fiz nada pra ela! Era literalmente um ódio que eu não sei de onde surgiu, porque eu nunca fiz nada pra ela pessoalmente e, com certeza, é uma pessoa que, eu não quero nem entrar nesses méritos, porque só de falar nela a minha energia muda, eu to me… tipo, eu me tremo, gente, de falar nela! Porque me vem toda a cena da audiência, é uma coisa horrível. É uma pessoa que eu não gosto nem de lembrar, porque é a única que eu sei desse grupo, mas ela não tava sozinha. Foge e vai além de fofoca, de crítica, de falar mal da roupa, isso já virou banal, isso a gente tá acostumado e faz parte. Quando a gente faz alguma coisa errada, as pessoas julgam, até aí tudo bem, eu fazer m*rda e julgarem, isso eu não tô nem questionando. Agora, a pessoa ser psicóloga e falar que o que eu faço prejudica as pessoas, mas e ela, gente? Como que uma psicóloga… as pessoas que vão ler essa matéria, elas nunca vão imaginar a dimensão e proporção do que essa pessoa fez na minha vida. Sou muito calejada. Então, se eu tô falando aqui que eu realmente sofri muitos ataques e coisas pesadas, foi pesado mesmo. Eu nem considero isso que fazem na internet hoje, que eu fiz alguma coisa, que eu falei alguma besteira, eu nem considero crítica isso, isso faz parte. Então assim, o que eu passei, eu nem sei como é que chama, era uma perseguição pessoal, foi além da internet.

“Eu me tremo só de falar nela… Porque me vem toda a cena da audiência, é uma coisa horrível”, desabafa Gabriela (Foto: Reprodução/Instagram)

HG: Você teve algum tipo de contato com a ré? Como foi?

GP: Os únicos contatos que eu tive com ela foram nas audiências, eu acho que duas ou três vezes, que ela sempre falava que não me conhecia, que não sabia nem quem eu era, que não tinha noção do que ela tava fazendo ali, então era uma coisa bem bizarra. Mas foi o único contato que eu tive. Só durante as audiências.

HG: Este ano, blogueiros bolsonaristas entraram de vez na mira da Justiça e até chegaram a ser presos por conta do que se investiga como um esquema de fake news. O próprio presidente já foi flagrado divulgando informações falsas, e por isso, teve posts apagados pelo Instagram, Facebook, e Twitter. Esse tipo de prática tem sido muito discutida e também é notável o crescimento de agências verificadoras de notícias por aqui. Você acha que as pessoas estão prontas para discernir o que é verdade e o que é mentira na web e nas redes sociais? E o que essas redes podem fazer para tornarem-se um ambiente melhor nesse quesito? Você se sentiu desprotegida?

GP: Eu, como sempre, acho que eu fui cobaia de várias coisas na internet, tipo, depois que eu passei por tal coisa, tudo melhorou e teve mais recursos, inclusive nessa propagação de fake news e no quanto isso hoje é tratado com seriedade. Só que na minha época, dois, três anos atrás, que pra internet é uma vida, não existia isso. Então, com certeza, eu me sentia super desprotegida e, eu não gosto de falar a palavra injustiçada, porque eu não gosto de me sentir vítima nunca, mas de uma certa forma eu pensava que eu não tinha nenhum tipo de proteção mesmo, se fosse hoje em dia ia ser tudo muito mais sério, muito mais prático. É muito perigosa essa propagação de fake news porque as pessoas acreditam no que elas leem, mas hoje em dia, como já sabem que rola muito isso de informações falsas, tá todo mundo mais esperto. Então, ninguém alimenta muito quando sai uma notícia ou uma fofoca porque sai tanta coisa mentirosa que, na verdade não tem muito mais crédito, só que na minha época tinha, entendeu? Não se falava nisso, então era tudo verdade, teoricamente, essas acusações e difamações que faziam a meu respeito, eram uma verdade absoluta.

Eu acho sim que as pessoas estão mais preparadas pra ter esse discernimento hoje, eu acho que as pessoas estão mais responsáveis e inclusive levando muito mais a sério essa questão de fake news, o que é muito bom. Na verdade, o que fazer pra tornar o ambiente melhor é verificar as informações, acho que é o mínimo, o mínimo é a pessoa verificar qualquer tipo de informação que é postada na internet. Isso eu acho que tiraria muitos problemas da frente, das pessoas, do mundo, de tudo, porque fake news eu acho que é o grande mal dessa nossa fase, porque na internet, tudo é muito volátil, muito rápido.

HG: Você acredita que ações como a sua ajudam a coibir a disseminação de ódio nesse meio digital? Acha que isso servirá como um alerta para as pessoas entenderem, de uma vez por todas, que a internet não é terra sem leis e pensarem duas vezes antes de publicarem alguma coisa?

GP: Eu tava super resistente, eu sempre fui resistente em falar sobre isso. Mas quando saiu essa sentença, a minha advogada me mandou, e conversando comigo, ela falou: ‘Gabi, eu acho muito importante as pessoas saberem que isso foi feito, que você ganhou esse processo, que as pessoas não podem fazer o que elas fazem e achar que ficarão impunes’. Então, graças a Deus, hoje, as pessoas têm que ter muita responsabilidade com o que elas falam, com o que elas fazem, com como elas prejudicam a vida de uma pessoa, e elas têm que saber que isso tem um preço sim. Tudo isso aqui, eu tô expondo porque eu quero que seja um alerta para as pessoas entenderem que existem leis, que elas não podem sair prejudicando a vida de ninguém, por mais que elas não gostem dessa pessoa. O mais importante disso tudo é realmente para as pessoas pensarem antes de saírem fazendo maldade e disseminando ódio, mentiras e calúnias, enfim, achando que não vai acontecer nada porque, graças a Deus, hoje, muito mais do que quando eu abri esse processo, os recursos estão cada vez mais fáceis e mais rápidos de serem feitos. Então as pessoas que fazem isso hoje, elas pagam esse preço muito mais rápido. E eu acho que é o justo, é o mínimo, que a justiça seja feita, seja na internet ou não. Se antes achavam que podem fazer o que quiser porque estão atrás de um computador, hoje, graças aos recursos e a como as coisas estão acontecendo, não é mais assim.

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HG: Sobre a Camila – pessoa que acabou descobrindo quem era a dona dos perfis, te informando sobre eles e virando sua testemunha… Como ficou a relação de vocês após esse imbróglio? Vocês construíram uma amizade? Porque, até então, vocês nunca haviam se falado…

GP: Então, a Camila, a gente se falava bastante na época, mas eu acho que as duas, eu e ela, a gente se sentia muito mal com esse assunto, com essa energia, porque ela também já foi vítima desses mesmos perfis, então era um assunto em comum que a gente tinha, mas que não fazia bem pra nenhuma das duas, sabe? Parece que a gente meio que quis enterrar isso e sair dessa energia, então, faz um tempo que a gente não se fala. Infelizmente, a gente se conheceu por meio disso, então eu acho que a gente quis meio que apagar essa fase, porque ela é uma pessoa, assim como eu, que tem uma energia boa e leve, que quis fazer justiça. Então a gente não se fala muito, mas se fala de vez em quando, só que o assunto que ligou a gente não é um assunto que a gente quer ter na nossa vida, então meio que não ficou muito uma ligação, sabe? Não sei se eu fui clara, mas o único assunto que a gente tinha em comum é um assunto que a gente não quer ter na nossa vida, e foi bem pesado na época, então eu acho que ficou um pouco de trauma pra nós duas.

HG: Esse processo definiu que a ré, de fato, era culpada, dona dos perfis e autora das inverdades propagadas na web. Contudo, o resultado não trouxe reparação aos danos financeiros que você possa ter enfrentado, como a perda de contratos, por exemplo. Você pretende entrar com um processo na área cível para pedir essa indenização?

GP: Pensando em tudo que eu falei aqui nessa entrevista, pensando aqui em tudo que eu passei, de energia e tal, eu acho que eu não vou pedir indenização não, eu acho que eu não quero viver nessa atmosfera de novo, sabe? Por mais que seja justo, eu acho que, graças a Deus, mesmo essas pessoas tentando me prejudicar por muito tempo, por muitos anos, nunca me faltou nada, eu não tenho a necessidade de ir atrás disso. Eu só queria o mínimo de justiça e isso foi feito, tá ótimo, então, acho que eu tô decidindo agora aqui isso, que eu não… só de pensar em tudo que eu passei e que eu vivia, a angústia, a ansiedade, as crises de pânico que eu tinha e tal, trazer de volta a energia dessa pessoa pra minha vida, por mais que seja um processo a meu favor, eu não quero, eu não quero essa energia. Então eu não vou pedir indenização, caso eu mude de ideia algum dia, eu aviso. Mas por enquanto, não.

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